MODELO PEDAGÓGICO NÃO-DIRETIVO
Resumidamente pode-se classificar os modelos pedagógicos em três tipos, a saber: pedagogia diretiva, pedagogia não diretiva e pedagogia relacional. Subjacente a esses três modelos encontram-se três tipos de epistemologia que lhe dão sustento, respectivamente: empirismo, apriorismo e construtivismo.
Pedagogia diretiva e seu pressuposto epistemológico. Na aula que se fundamenta em uma pedagogia diretiva, o professor fala e o aluno escuta, o professor propõe atividade e o aluno a executa, o professor ensina e o aluno pressupostamente aprende. A epistemologia subjacente é denominada empirista por atribuir aos sentidos, e às experiências mediadas por eles, a fonte de todo o conhecimento. A concepção de aprendizagem nesse modelo baseia-se na apreensão de verdades e não na sua construção. A associação entre percepções e ações, isto é, o aprendizado pode ser visto como resultado de um processo de estímulo - resposta, de tentativa e erro. O reforço é tido como importante no processo de aprendizagem, isto é, a necessidade de repetição de uma tarefa para alcançar o aprendizado, também dá suporte a esse modelo epístemológico.
Pedagogia não-diretiva e seu pressuposto epistemológico. Nesse modelo o professor é um auxiliar do aluno, um facilitador. O aluno é visto como independente no seu processo de aprendizagem e detentor de um conhecimento e/ou de habilidades a priori que determinam sua aprendizagem. O professor deve interferir o mínimo possível, o professor não ensina, o aluno é que aprende. A epistemologia que dá sustento a essa pedagogia é classificada como apriorista, concebe o indivíduo como dotado de um saber de nascença o que justifica a ocorrência de alunos talentosos e de alunos fracassados.
Esse modelo é muito pouco freqüente em nosso meio, no entanto esse pré-conceito de alunos destinados ao fracasso e de alunos destinados ao sucesso está presente no senso comum.
Pedagogia relacional e seu pressuposto epistemológico. Na aula que se fundamenta em uma pedagogia relacional, o professor problematiza e o aluno age, estabelecendo-se em sala de aula um ambiente de discussão e construção de um novo conhecimento em que a interação aluno-professor é a base do processo de aprendizagem. A epistemologia subjacente é denominada construtivista por relacionar aprendizagem à construção de conhecimento, tarefa compartilhada entre professor e aluno. Ao professor cabe desestabilizar cognitivamente o aluno através da novidade. Ao aluno cabe, através de um processo endógeno complexo, passar de um patamar de conhecimento para outro, superior, através de assimilações e subseqüentes acomodações, num processo que finda temporariamente a cada acomodação, mas que frente a novos desafios se repete permitindo que o sujeito cognitivo atinja patamares cada vez mais elevados de conhecimento.
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ESCOLA DE SUMMERHILL
A escola de Summerhill, nasceu em 1921, fruto da imaginação de um escocês A. S. Neill, que tinha princípios altamente liberais em matéria de Educação. Hoje, a escola continua sob a responsabilidade de Zoe Readhead, 52 anos, filha de Neill, continua o trabalho de seu pai apesar das ameaças do governo britânico.
O direito de aprender em Summerhill, baseia-se na filosofia de enriquecer as crianças e jovens, através de experiências diversas, passando a estes o forte sentido de responsabilidade, competências e sociabilização.
Esta escola simboliza uma escola alternativa, hoje com 79 anos de existência, sem ser subsidiada pelo Estado, fundada no livre arbítrio, existe atualmente 800 estabelecimentos com internato, que tem uma grande ligação com seus princípios sagrados.
Apesar de ser a única escola progressiva inglesa, os resultados dos alunos nos exames nacionais são razoáveis, pelos dados apresentados num artigo “Liberdade Ameaçada”, 75% dos alunos tiveram bons resultados nos exames finais.
Nesta escola, o relacionamento professor e aluno é baseado no respeito e compreensão, os professores são tratados por “tu”. Os alunos exercem o direito de aprender desde os 6 anos de idade. Não há idade para aprender, cada um tem o seu tempo.
A escola de Summerhill, é considerada a “mais velha democracia das crianças no mundo”, pois cada decisão sobre a vida da escola é tomada por eleições, onde as palavras dos adultos e das crianças são iguais.
As aulas funcionam no turno da manhã e da tarde; é oferecido recurso variado, que ficam a disposição do aluno. Os recursos vão desde mapas, livros, filmes, gravações e etc. Quando não estão na aula podem fazer qualquer coisa que lhes agradem, estudar sozinho, andar de bicicleta, ir a piscina. A única coisa não permitida é dormir de dia.
Ficam disponíveis Grupos de professores para transmitir outro tipo de conhecimento, não acadêmico, dependendo da curiosidade de cada um.
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CONSIDERAÇÕES
Na proposta da pedagogia não diretiva considera-se os enfoques encontrados predominantemente no sujeito. O ensino centrado no aluno é derivado da teoria de Carl Rogers sobre personalidade e conduta, centrada no desenvolvimento da personalidade do indivíduo, em seus processos de construção e organização pessoal da realidade.
Com o advento da globalização, nota-se o abandono dos ideais coletivistas por uma busca em reforçar o individualismo e a desigualdade social das nações. Os problemas sociais avançam diariamente e criando-se a necessidade de se discutir sobre a formação de cidadãos humanizados, considerada esta uma das nobres tarefas da escola. Fica claro que a escola deveria ser o local para ensinar cidadania não somente na teoria como também na prática.
Para a implantação de um modelo não-diretivo, dever-se-á modificar a forma de pensar e agir de todo o conjunto de componente da estrutura educacional, fator este de grande complexidade. Na Escola de Summerhill, os alunos possuem independência em suas atividades, observa-se que os próprios alunos já realizam assembléias e decidem as regras, sendo desde cedo preparados para ser cidadãos.
Devido ao fato de a sociedade se encontrar muito envolvida com o modelo tradicional de ensino, a aplicação desta concepção será bastante complexa, por tender a desacomodar os métodos de ensino e gerar conflitos entre os meios participantes, sendo necessário que todos os agentes envolvidos se encontrem preparados e comprometidos com esta didática.
No Brasil esta abertura vem sendo efetivada aos poucos após o advento da nova Lei de Diretrizes e Bases - LDB, na qual estabelece que o aluno deve ser valorizado no seu contexto, sendo trabalhado para tornar-se um cidadão. Mas realidade brasileira não é rica de recursos como a escola britânica, as potencialidades ou habilidades individuais ficam comprometidas, barradas em hierarquias e na fraca estrutura para inserção em um processo diferenciado de participação.
Atualmente o exercício da docência obriga ao tutor possuir certos talentos e ser munido de grande criatividade, se tornando um ser atualizado e possuído de inúmeras qualidades, devido ao fato de estar concorrendo com meios de comunicação poderosos, como a Internet.
A própria introdução de tecnologias na educação, especialmente associadas ao uso de computadores, está provocando mudanças no paradigma educacional, onde o foco da aprendizagem deixa de ser o ensino e passa a se centrar no aluno. A adoção dessas novas tecnologias é caracterizada por fatores de ordem positiva, como a facilidade de acesso às informações, flexibilidade de apresentação e interação entre aluno e a máquina. A incorporação das maquinas nas atividades pedagógicas desenvolvem nos alunos o desejo de aprender a aprender, o entusiasmo pelo conhecimento, o prazer e a alegria da descoberta. Contudo é fundamental que o aluno compreenda o que está fazendo e por que está Fazendo, cabendo ao professor auxilia-lo nesta compreensão.




