Sunday, May 14, 2006

Acompanhe a evolução da crise do gás boliviano

CRONOLOGIA DA CRISE

22.04 Governo do presidente Evo Morales, da Bolívia, completa três meses sob protestos. É acusado de não cumprir promessas eleitorais, como a nacionalização do gás e do petróleo
01.05 Morales decreta a nacionalização do setor de gás e petróleo e manda tropas militares ocuparem refinarias, inclusive a Petrobras. Essa invasão foi criticada pelas empresas e considerada marketing político
02.05 Lula diz que decisão da Bolívia é ato soberano do país e deve ser respeitadaPetrobras ameaça recorrer a tribunais internacionais para garantir seus direitos
03.05 Presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, anuncia em entrevista coletiva que a empresa estatal estava cancelando novos investimentos na Bolívia
04.05 Presidente Lula reúne-se com Morales, Hugo Chávez (Venezuela) e Nestor Kirchner (Argentina) para discutir a nacionalização, mas o encontro é criticado por não ter decidido nada sobre preço do gás e indenização à PetrobrasNuma entrevista em outro momento, Morales declara que, ao anunciar suspensão de investimentos na Bolívia, a Petrobras estava "chantageando" o país
05.05 Lula diz que a Bolívia precisa de ajuda, "não de arrogância", critica os defensores de uma postura mais dura e diz que o governo quer ajudar o país mais pobre da América do SulO presidente afirma que a Bolívia tem direito de aumentar o preço do gás, assim como a Petrobras deve defender seus interessesLula diz que não haverá aumento de preço para o consumidor brasileiro e, se for necessário, a Petrobras absorverá esse custoA Petrobras informa que dará 45 dias à Bolívia antes de procurar arbitragem em tribunal internacional
08.05 A Bolívia nomeia diretores para assumir a direção da Petrobras e de outras petrolíferasLula descarta "retaliação" e diz que negocia de forma "carinhosa". "Não vamos fazer retaliação a um país que é infinitamente mais pobre que o Brasil, um povo mais faminto que o povo brasileiro", afirma
09.05 Petrobras rejeita indicação de novos diretores para a empresa, anunciada no dia anterior pelo governo de La Paz, e diz que isso depende de mudanças na lei bolivianaA oposição a Lula no Brasil considera a atuação do país "frouxa" com a BolíviaO ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, diz que Lula não gostou da suposta interferência do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, na decisão de nacionalização. "Foi transmitido ao presidente Chávez nosso desconforto e o desconforto pessoal do presidente Lula com algumas dessas ações", declara Amorim
10.05 Ministros de Minas e Energia do Brasil, Silas Rondeau, e de Hidrocarbonetos da Bolívia, Andrés Soliz Rada, e os presidentes da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e da Yacimientos Petroleros Fiscales Bolivianos (YPFB), Jorge Alvarado, fazem reunião em La Paz para discutir os preços do gás
11.05 Evo Morales faz uma série de declarações polêmicas: diz que a petrobras operava ilegalmente na Bolívia, chama as petrolíferas de "contrabandistas" (subentende-se que a Petrobras esteja incluída), revela que não vai pagar indenização nenhuma e alega ter tentado conversar com Lula antes da nacionalização, mas teria sido barrado por assessores. Fala até que o Brasil comprou o Acre da Bolívia em troca de um cavaloO ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, responde e diz que o governo brasileiro ficou "indignado"Reportagem da revista britânica "The Economist" avalia que Lula foi "humilhado" por Hugo Chávez e transformado em um "espectador irrelevante" nesse episódio do gásNos bastidores, Lula diz que vê ação eleitoral de Morales e agora pensa em plano B, que seria ameaçar suspender a importação de gás da Bolívia, o que estrangularia a economia do vizinhoA Bolívia recua publicamente e diz que os diretores de petrolíferas nomeados no dia 8 só assumem após negociaçãoBrasil e Bolívia anunciam a criação de grupos técnicos de trabalho para tratar da atuação da Petrobras naquele país
12.05 O Brasil ameaça novamente recorrer à Justiça internacionalO ministro boliviano de Hidrocarbonetos, Andres Soliz Rada, afirma que a Bolívia não vai participar do Gasoduto do Sul (projeto que liga a Venezuela à Argentina) se a Petrobras fizer parteCelso Amorim (Relações Exteriores) responde que, sem o Brasil, não haverá gasoduto nenhumEm outra direção, Evo Morales baixa o tom, diz que não está expulsando a Petrobras da Bolívia e vai se reunir com Lula para um acordoO presidente em exercício da Bolívia, Álvaro García Linera, oferece às empresas de petróleo a garantia de regras duradouras, de segurança jurídica e espaço para lucroCelso Amorim diz que reação forte à Bolívia será tomada no momento adequado e não descarta retirar embaixador do Brasil de La Paz

0 Comments:

Post a Comment

<< Home